sexta-feira, 2 de março de 2012

Lembranças.



Era um lindo dia de sol intenso e radiante...
Eu estava sentada na varanda da casa de minha avó a observar
Em meio ao jardim minha mãe das flores a cuidar.
Do lado de fora, na rua todos que passavam podiam ver e admirar,
A beleza das flores que ela estava a cultivar.
E eu ali a observar...
O cuidado, a paciência e o tempo que ela insistia a elas dedicar.
E me perguntava por que as flores eram capazes de extrair
De minha mãe tanto zelo e dedicação
E eu não.
E hesitei em me aproximar
Confesso naquele momento sentir
Raiva e inveja das flores.
Lembro com tanta exatidão,
Como se estivesse lá agora,
O chão de terra sem nenhuma erva daninha,
As folhas todas verde viva
E as flores essas de mim a debochar,
Com suas cores tão intensas e radiante quanto o sol a brilhar.
Fecho os olhos e o perfume...
Que raiva sinto delas.
Enquanto das flores ela cuidava,
Eu me recordava...
Da minha infância
E das poucas vezes em que ela se fez presente,
Insistia em não me assumir
Quando eu a chamava de mãe
Ela não aceitava admitir,
Seu fracasso em mim revidava.
De todas as ausências, a que eu sempre senti mais falta foi a de minha mãe.
Mas descobrir depois de algum tempo através das flores,
Que quando estava em meio a elas minhas angustias eram esquecidas,
E meu coração se enchia de paz.
Assim eu conseguia me sentir mais perto dela e das flores passei a gostar.
Talvez fosse esses sentimentos que as flores
eram capazes de lhes proporcionar, e eu não.










        

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