"Os mortos apenas morrem de fato quando ninguém mais se lembra deles. Enquanto eu lembrar de alguém, de seu nome, de que a pessoa foi e do que fez, ela continuará viva, ela continuará existindo dentro de nós."
Maria Poesia (21.09.2009)
Finados.
Protegemos nossa espécies, para que por meio delas possamos nos perpetuar, cabe às nossas e as próximas gerações o cultivo de nossas lembranças. é triste imaginar que isso pode não acontecer, que o reconhecimento de todo nosso esforço durante a trajetória de nossas vidas talvez não ocorra. Vê o descaso de uma geração em não seguir o caminho trilhado rumo à eternidade e que ignora o fato de sua existência ser possível graças às gerações passadas, nos remete a uma reflexão, um dia não só morreremos, mas seremos banidos e esquecidos.
Talvez o medo da morte não seja da morte em si, mas do esquecimento que ela pode provocar em nossos descendentes. No dia de finados o único dia do ano dedicado às lembranças dos que já se foram, ao visitar um cemitério no interior de Santa Tereza ES, pude constatar a diferenciação entre ricos e pobres até mesmo após a morte, há aqueles que fora enterrados em simples e outros em soberbas jazidas, e pude observar ainda que alguns possuíam muitas flores e outros nenhuma, refletindo o descaso de seus entes. Vi um senhor de aproximadamente 65 anos, que abeirava com muitas flores trazidas para serem colocadas em jazidas de familiares e amigos, mas o que me chamava atenção em sua visita, era o fato de ele depositar sobre as catacumbas de pessoas desconhecidas uma flor branca, denominada no Espirito Santo "copo de leite", ao coloca-las ele fazia uma prece num gesto simples más de grande nobreza que quebrava essa diferenciação os igualando. Entendi naquele momento que as tradições e costumes tem como filosofia a lealdade, a tradição de finados, nos é concebida para sermos leal a tudo que os mortos representaram. Quem morre deve continuar na memória dos que ainda vivem e mais, deve haver uma demonstração de que de fato sobrevivem por gerações, e se ainda em vida vemos essa demonstração de lealdade nos traquilizamos ao saber que depois da morte ainda seremos lembrados. De nada adianta as jazidas imponentes, quando a verdadeira riqueza esta na maneira como se vive.
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